Bem-vindos à seção nostalgia do nosso blog, onde pretendemos contar a história de consoles, jogos, empresas relacionadas à Tectoy da maneira mais detalhada possível. E para começar, nada melhor do que com um dos videogames mais queridos e lembrados pelos gamers brasileiros!

Nossa história começa em uma outra época, “em uma galáxia muito, muito distante” (ok, nem tanto). Mas uma época em que talvez muitos dos leitores ainda estivessem engatinhando ou ainda nem mesmo tivessem nascido, que não chega ser a pré-histórica na história dos videogames, mas está por ali na Idade Antiga. O ano: 1989. Localização: Brasil. O console: Master System. A empresa: Tec Toy.

Essas foram as variantes responsáveis por uma metamorfose revolucionária no mercado brasileiro de videogames, considerada por muitos a “Era de Ouro” da indústria no país, e que nunca mais seria a mesma.

Sim, é verdade que já tínhamos o Atari em terras brasileiras desde 1983/84, e o saudoso sistema MSX também andava por aqui com uma legião de fãs, assim como dezenas de clones/piratas do Nintendinho 8 Bits.

Mas tudo mudou com a chegada do Master System, um dos videogames mais querido e lembrado pelos gamers brasileiros. Com ele aqui, a poderosa Nintendo não teve vez. Confiram agora a história desse videogame que marcou milhares de jogadores e deixou um legado de recordações e lembranças de uma época que jamais será esquecido por quem a vivenciou.

Voltando no tempo…

Mas antes de começar a nossa viagem pelo túnel do tempo gamístico, vamos relembrar como estava o mercado de videogames antes da chegada do Sega Master System (SMS). Início dos anos 80, o mercado era dominado pela gigante americana Atari. Tudo ia bem até que em 1984 aconteceu o fenômeno batizado de “crash dos videogames” (quebra dos videogames), que simplesmente foi a falta de interesse do consumidor pelos aparelhos eletrônicos, por causa de uma saturação de jogos iguais, que não traziam nada de novo e interessante para o sistema Atari.

No entanto, do outro lado do mundo, lá no Japão, uma empresa de baralhos começava a despontar no ramo de games. A Nintendo lançou em 1983 o seu videogame de 8 Bits, o Famicom, fazendo grande sucesso nas terras nipônicas por apresentar jogos bem mais elaborados. Com o sucesso, a Nintendo resolveu lançar o console nos EUA (ironicamente pediu para a Atari ser a sua representante e quase fecharam uma parceria, que acabou não dando certo). Com um novo formato e rebatizado de NES (Nintendo Entertainment System), o videogame virou sucesso absoluto e rapidamente dominou o mercado, que antes era dos americanos e agora passava para os japoneses (o que durou por muitas décadas, mas atualmente voltou aos americanos).

esse é o SG-Mark I, o primeiro “embrião” do que futuramente se transformaria no SMS

Na mesma época, também lá na terra do Sol Nascente, uma respeitada fabricante de arcades (ou fliperamas, aquelas grandes máquinas que tinham em cada boteco na esquina e hoje são raras) chamada Sega começava a preparar o terreno para entrar no mercado de videogames. Já em 1981 estava em testes o que seria o “embrião” do Master System, o SG-1000 Mark I. O primeiro videogame doméstico da empresa, foi lançado apenas no Japão em 1983 e não fez muito sucesso (console muito raro e cobiçado por colecionadores). No ano seguinte a empresa lançou o SG-1000 Mark II, uma versão melhorada do primeiro console. Mas a Sega ainda não estava satisfeita com o resultado, e então em 1985 sairia a versão definitiva, o SG-1000 Mark III, que depois ficaria conhecido como Master System.

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o Sega Mark III – posteriormente a Sega lançaria no Japão o modelo que conhecemos no Brasil

O console havia sido feito com um propósito: encarar o rival Famicom e abocanhar uma fatia do rentável bolo da indústria de videogames. E potencial o aparelho tinha, com especificações melhores do que o Nintendinho 8 Bits, ele era tecnicamente mais poderoso. Infelizmente enfrentou barreiras que não puderam ser contornadas, tais como:

  • Foi lançado muito tempo depois que o Famicom, que já tinha uma base sólida de consumidores;
  • Os preços do concorrente eram mais baixos além de ter uma maior variedade de jogos;
  • A Nintendo assinava contratos exclusivos com as desenvolvedoras para lançarem games apenas para o seu videogame, assim os jogos mais populares só tinham para o NES.

Características

O Master System original aceitava jogos em cartuchos e cartões (nenhum foi lançado pela Tectoy e o slot do SMS brasileiro servia apenas para uso do óculos 3D). Mas se você estiver curioso, os jogos em cartões eram mais simples e limitados a um tamanho de apenas 32 KB, enquanto os jogos em cartuchos podiam chegar até 8 MB – então não fizeram falta nenhuma, mas alguns títulos foram lançados no exterior.

Curiosamente, existem algumas diferenças do modelo japonês e do modelo comercializado no resto do mundo, como a existência do botão Rapid Fire (que acionava a repetição automática dos botões do controle), mas a diferença mais notória era um chip de som FM (YM2413) que permitia músicas muito mais elaboradas – e que infelizmente foi removido na versão vendida no resto do mundo.

Confira no vídeo abaixo uma comparação de áudio dos jogos Phantasy Star e Ys (as diferenças são gritantes, ficando no nível de som do Mega Drive):

A CPU principal do SMS era composta pelo famoso Zilog Z80 de 3,58 MHz de processamento, com 64 Kbits (8KB) de memória RAM, 128 Kbits (16KB) de memória dedicada à geração de imagens, 32 cores simultâneas de 64 disponíveis (pode também exibir 64 cores simultâneas com certos métodos de programação), resolução de tela de 256×192 (modelos mais recentes também suportam outras resoluções, 256×224 e 256×240).

Para efeitos de comparação, O Nintendinho 8 Bits contava com um processador Ricoh 2A03 desenvolvido exclusivamente para o NES, com capacidade de apenas 1,66MHz, tinha apenas 2KB para memória RAM e 2KB para vídeo, 24 cores simultâneas de 52 disponíveis e resolução de tela de 256×240 pixels (embora a maioria dos jogos NTSC utilizasse 256×224).

Óbvio que, para os padrões de hoje, essas especificações não servem nem para uma calculadora de bolso, mas na época ambos os consoles tinham um poder de fogo para humilhar o outrora dominante Atari.

Em breve a Parte 2: A chegada nos EUA, aguarde!

  • Andre Luis

    Sensacional!

    É muito legal conhecer a história do querido Master System, fora que é interessante ver como era a “guerra” de consoles na época, com hardware simples e tudo mais. Ai que a gente para e pensa: “caramba, olha o quanto que evoluímos!”

    Mal posso esperar pela parte 2!

  • Alex Soares Borges

    Gênios! Escrever jogos para estes sistemas onde as limitações técnicas são evidentes, mostra o quanto eram criativos.

  • Carlos Zaga

    (o que durou por muitas décadas, mas atualmente voltou aos americanos).

    xbox nunka liderou nda

  • Carlos Zaga

    o SG-1000 Mark III, que depois ficaria conhecido como Master System.

    teve master system no japaum tambeim

  • Jadir ventura

    Trabalhava na brasmolde em jundiaí desde 86 e tive a honra de participar da construção alguns dos moldes do master 1 principalmente do gabinete superior que da cara ao master