Milhões de pessoas no mundo todo colecionam os mais diversos tipos de objetos, e é claro que os videogames também fazem parte desse movimento – uma brincadeira, um simples “hobby”, que pode se tornar em uma atividade mais profunda e custar bem caro para o bolso, especialmente aqui no Brasil!

Pois bem, nós conversamos com o paulista Tadeu Gomieri Filho, um grande fã dos nossos produtos que tem como grande paixão colecionar jogos do Mega Drive! Mas não qualquer jogo e sim aqueles que foram lançados aqui no Brasil pela Tectoy.

Como pode ser visto nas imagens, são muitos jogos para deixar qualquer fã do 16 Bits da Sega com uma pontinha de inveja. Vem conhecer a história dele e como começou essa sua vida de colecionador em nossa entrevista especial logo abaixo:

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Olá Tadeu, acho que podemos começar com você fazendo sua apresentação pessoal para os nossos leitores te conhecerem melhor.

Olá, eu me chamo Tadeu Gomieri Filho, tenho 29 anos, sou solteiro e moro em Catanduva, interior de SP, onde exerço a profissão de advogado.

Conte como começou a sua vida gamer, os consoles e jogos que mais te marcaram e por quê?

Fui apresentado ao mundo dos videogames quando ainda era bem criança, com uns 5 anos de idade. Na época meu primeiro console foi um Atari 2600, que ganhei de meus pais. Porém só fui começar a realmente gostar de games com o Master System, que foi apresentado a mim por primos meus que moravam em São Paulo, capital, quando vieram passar as férias em minha cidade, trazendo com eles o console! Alex Kidd in Miracle World, que vinha na memória dele (Master System II), creio que foi o jogo que me fez de fato pegar gosto pela coisa.

Algum tempo depois conheci o Mega Drive, também através de primos meus de São Paulo. O primeiro jogo que joguei nele foi Sonic 1. Bom, aí sim foi amor à primeira vista. Fiquei fissurado pelo “jogo do porco-espinho“. Depois disso devo ter atormentado tanto os meus pais, que pouco depois eles me deram de Natal um Mega Drive II, que vinha com o cartucho do Sonic 1. Posso dizer, sem dúvida, que foi aí que tudo começou de verdade.

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Como começou a sua vida de colecionador de jogos? Além dos da Tectoy, você também possui jogos estrangeiros?

Eu comecei a colecionar totalmente sem intenção. Mesmo depois da geração 16 bits ter acabado, eu sempre continuei indo atrás dos jogos de Mega Drive que eu sempre quis ter para jogar, mas que na época própria do console eu não havia conseguido comprar (na maioria das vezes, apenas alugava esses jogos nas locadoras). Ou seja: tive o privilégio de poder manter comigo os jogos que fui, na época, ganhando aos poucos dos meus pais (de aniversário e de Natal, por exemplo), e ao mesmo tempo adquirindo outros (sempre procurando por jogos nacionais Tectoy, com caixa e manual e em bom estado de conservação – sempre fui exigente com isso, desde criança!).

Assim, ao mesmo tempo que eu aproveitava a era 32 bits, com o Sega Saturn, eu ainda continuava jogando Mega Drive e indo atrás dos jogos que eu considerava que ainda faltavam para mim. Isso continuou pelas próximas gerações de consoles que vieram. Até que chegou a um ponto em que percebi que, mesmo sem ter essa intenção específica, eu tinha formado uma grande coleção de cartuchos de Mega Drive.

Na minha coleção de Mega Drive possuo alguns jogos de outras regiões, como americanos (Genesis) e japoneses, mas são poucos e apenas alguns daqueles que por algum motivo acabaram não sendo lançados no Brasil.

O que o Mega Drive e a Tectoy significam na sua vida? Quais suas melhores recordações?

Com isso de não procurar ter jogos estrangeiros na minha coleção, sempre surge uma pergunta recorrente: “Porque sua coleção de Mega Drive só tem jogos Tectoy?“. Bom, o que acontece é que foram especificamente eles que marcaram minha infância. Quando eu ia alugar jogos, tinha uma locadora em minha cidade que possuía uma infinidade de jogos de Mega, e todos eram nacionais Tectoy. Ao mesmo tempo, sempre que saia com meus pais, eu ficava babando na sessão de videogames, que também sempre tinha muitos jogos, todos nacionais Tectoy. Ou seja, com isso, cresci admirando o trabalho que a Tectoy fez e faz no Brasil, sendo representante da Sega em nosso país. Para mim os cartuchos estrangeiros não conseguem passar esse mesmo sentimento nostálgico.

Lembro dos comerciais que passavam na TV aberta, das propagandas nas revistas de videogame da época, da Hotline da Tectoy (que as pessoas ligavam para pegar dicas de jogos), dos jogos localizados para o Brasil, como os da Turma da Mônica e Pica-Pau, por exemplo… enfim, é uma empresa que sempre fez um trabalho fora do comum em nosso país, trazendo para cá os lançamentos quase que simultaneamente aos grandes centros como EUA e Japão (além de outros jogos que nem nesses países foram lançados), e ainda numa época em que tudo era muito mais difícil, já que o mundo não era tão globalizado. Sem querer comparar, mas já comparando, lembro que a empresa que representava a Nintendo por aqui, não conseguia fazer com ela (Nintendo), nem 10% do trabalho que a Tectoy fazia com os videogames da Sega no Brasil.

Em tempo: uma das minhas melhores recordações dessa época foi quando joguei Streets of Rage 1 pela primeira vez – jogo este que continua até hoje sendo um dos meus preferidos.

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Como todo colecionador, você deve ter os seus itens favoritos. Quais são eles e por quê?

Tenho meus itens favoritos sim. Todos eles por me trazerem alguma lembrança boa da época, como por exemplo:

Streets of Rage 1 e 2: na infância joguei muito ambos esses jogos junto com meus primos e amigos. Não tinha nada melhor que jogá-lo em duas pessoas, cooperativamente. Tenho ótimas recordações daqueles tempos (e da trilha sonora sensacional que eles têm).

Toejam & Earl: aluguei tanto esse jogo, sempre da mesma locadora, que um dia fui pedir ao dono da locadora se ele não me vendia ele (sim, era original Tectoy!). Para minha surpresa, ele aceitou e acabei pegando o jogo para mim (que também está comigo até hoje).

Castle of Illusion: um dos primeiros jogos de Mega Drive que conheci, depois de Sonic 1. Considero também um dos melhores do console.

Michael Jackson’s Moonwalker: comecei a gostar até mesmo do próprio cantor Michael Jackson por causa desse jogo.

Enfim, na verdade são muitos, mas os primeiros que me vieram à cabeça foram estes.

Como é a vida de um colecionador de jogos? Explique para nós como você pesquisa e adquire os produtos. Fator sorte conta muito?

No meu caso, eu procuro ter comigo os jogos que eu considero bons, que eu tenha vontade de jogar (não, eles não servem apenas para ficar pegando pó na estante) ou os que por algum motivo me trazem boas lembranças. Nunca liguei muito para o fator “raridade”, como muitos colecionadores fazem. Acontece que, com relação ao Mega Drive, acabei conseguindo boa parte dos jogos lançados pela Tectoy no Brasil e, nesse caso, eu estou sempre procurando por algum que eu ainda não tenha. Faço isso através de site de vendas de usados, fóruns de discussão sobre videogames e até mesmo redes sociais. Creio que a sorte às vezes entra na conta, sim, mas penso que o fator de maior peso é a dedicação. Como eu disse anteriormente, muitos jogos eu já procurava há anos antes de conseguir achá-lo do jeito que eu queria. Outros, até hoje não consegui obter.

Colecionar é um hobby que geralmente começa por diversão e acaba virando um vício salgado para o bolso. Quais foram os produtos mais caros que você já comprou? Você compra apenas do Brasil ou procura em sites do exterior também?

Sem dúvida é um hobby, ou um vício (risos) salgado, principalmente nos dias atuais, que acabou virando até mesmo uma “moda” colecionar games antigos. Mas eu também não saio pagando qualquer preço que pedem, mesmo que às vezes seja algo que quero muito. Creio que alguns jogos de Sega Saturn que possuo foram os mais caros que já comprei, alguns, na época que comprei, saíram em torno de R$ 500 (posso citar aqui como exemplo o jogo Magic Knight Rayearth, que atualmente vale pelo menos quatro vezes mais que isso). As versões americanas de alguns jogos de Saturn são muito valorizados atualmente.

Na época em que o dólar estava mais baixo, comprei muitos jogos em sites do exterior, mas atualmente, com o dólar em alta, tem sido mais vantajoso procurar aqui no Brasil mesmo.

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Mais ou menos, quanto você gastou com a sua coleção até hoje?

Sinceramente não sei estimar, mesmo porque, como disse anteriormente, eu venho acumulando jogos (risos) desde que era criança. Então tem muita coisa na minha coleção que está comigo há mais de 20 anos.

Tem algum jogo (s) que você queira muito e até hoje não conseguiu adquirir?

De Mega Drive, não. Todos que eu realmente queria dele, eu consegui. Mas há um jogo de Sega CD, em específico, que eu ainda queria ter na coleção, pela lembrança que ele me traz, que é o Shining Force CD, na versão nacional Tectoy. Eu lembro de ter ganho esse jogo, na época, por engano, em algum aniversário meu. Eu tinha acabado de comprar o Sega Saturn, daí confundiram e me deram esse jogo de Sega CD de presente. Como eu não tinha o console, acabei devolvendo e trocando-o por algum outro jogo. Hoje em dia sequer consigo encontrar uma foto na internet desse Shining Force, na versão nacional da Tectoy. Mas eu lembro perfeitamente de já ter pego esse jogo nas mãos. Pena ter devolvido, pois naquele tempo eu não tinha o Sega CD.

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Quantos jogos você tem em sua coleção?

Acredite, nunca parei para contar quantos jogos tenho na minha coleção, já que eu nunca colecionei para ter bastante jogos na estante, e sim para ter os jogos que eu queria jogar – obviamente acabo não tendo tempo para jogar tudo que eu gostaria, mas na hora da compra, é essa a intenção (risos). Eu sei que de Mega Drive, devo ter algo em torno de 200. Mas tenho muita coisa também de Master System, Game Gear, Sega Saturn e Dreamcast. Já em se tratando de sistemas que não são da Sega, tenho um tanto razoável de jogos de Super Nintendo, Nintendo 64, PlayStation 1 e Xbox 360.

E para terminar, quais dicas você daria para alguém que quer começar a colecionar jogos?

A dica que eu daria para quem quer começar a colecionar jogos, é que primeiramente a pessoa tenha um foco específico. Já vi muitos que começaram a colecionar e, de início, já saíram comprando tudo de tudo (desde jogos de Atari, até jogos de 3DO, por exemplo). Pouco tempo depois, essa pessoa tinha desistido de colecionar e estava vendendo tudo que havia comprado, porque percebeu que estava gastando muito, e ainda por cima não tinha conseguido juntar uma coleção legal. Ou seja: primeiramente coloque um foco em algum único console. Depois, veja que tipos de jogos te interessam, a região deles (nacionais, americanos, japoneses ou europeus), e também o estado de conservação (se lhe servem jogos “loose” – apenas o cartucho – ou se quer apenas jogos completos, com caixa e manual).

Como tudo nessa vida, colecionar também exige critério. Então direcione sua coleção, não tenha pressa, e aos poucos você vai perceber que já formou uma coleção bem bacana.

Para finalizar, gostaria de agradecer esse espaço cedido pela Tectoy, empresa da qual sempre fui fã número 1, para que eu pudesse me apresentar e apresentar minha coleção, e também parabenizá-los pelo excelente trabalho que sempre desempenharam no Brasil como representantes da Sega. Fiquei muito contente quando vi a notícia do relançamento do Mega Drive, pois, além de mais uma vez se atentarem a uma nova tendência internacional (de relançarem videogames retrô), notei que procuraram manter o console o mais fiel possível ao lançado originalmente – o que o torna muito mais interessante e atraente! Parabéns pelo trabalho de vocês e mais uma vez muito obrigado! Grande abraço a todos!

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  • Demetrio Costa

    Linda coleção tenho um grande carinho pela tec toy oque fizeram foi Homérico no Brasil .Vcs colocaram o DNA do Brasil na Sega valeu tec toy .

  • And

    Realmente, fiquei com uma “pontinha de inveja”, rsrs. Parabéns pela bela coleção!

  • Alexandre Dias

    eu acho as capas originais japonesas muito fodas! As norte-americanas tinham uma arte tosca

  • Renato Curty

    A Tectoy podia lançar em seu site a lista completa de jogos lançados pela empresa, separando por players (1 ou 2 jogadores) ou pelo ano de lançamento.
    Fica a sugestão.