Conversamos com Luiz Fernando Nai Ribeiro, um grande fã da Sega e um dos redatores do site SegaNerds, além de também atuar como programador do estúdio indie brasileiro Titan Game Studios, formado em 2016 e que tem como meta principal lançar e incentivar a produção de games 100% nacionais para os saudosos consoles da Sega.

Atualmente o estúdio está desenvolvendo o jogo “Survival Code” para os consoles Sega Saturn, Dreamcast e também para smartphones. Saiba mais desse empreendimento em nossa entrevista abaixo:

Fale um pouco mais sobre seu projeto Survival Code.

É um jogo pra celular, Sega Saturn e Dreamcast. Estou há uns seis meses trabalhando na engine, fechando os últimos detalhes agora!

Conte um pouco de você e sua história gamer. Você mesmo que criou a engine? Por que trabalhar com consoles tão antigos? O que exatamente você pretende lançando o jogo em plataformas digamos, mortas?

Então, eu escrevo para o fã-site SegaNerds e eu percebi que quanto mais técnico eram os artigos, mais visualizações tinham. E eu sou programador, então comecei a pesquisar mais a fundo justamente pra fazer os artigos, até que eu me deparei com umas bibliotecas em [linguagem de programação] C para programar no Saturn. Então comecei a brincar com aquilo até que eu consegui fazer algo rodar no videogame, e assim comecei a fazer o game.

Como você mesmo disse Saturn e Dreamcast (meu videogame favorito) são plataformas mortas, então eu decidi fazer uma versão para celular também, para ver se consigo pelo menos ter algum retorno. Fiquei meses desenvolvendo um código de game de plataforma que rodaria bem em tudo. Depois eu percebi que o processo estava muito manual, tipo pra desenhar os levels era tudo em formato de texto, a mesma coisa pro VMU, para converter as músicas, para o formato certo dos videogames também tinha que ser tudo na linha de comando.

Eu decidi então criar uma ferramenta que gerasse esses arquivos de forma automática, que é a que eu estou usando agora. Então o que foi feito até agora:

– Eu fiz um código que rodasse bem nas plataformas, que aceitasse os inputs do joystick, áudio, gráficos, etc…

– Desenvolvi a ferramenta pra deixar o processo automático

– Escrevi um roteiro para o game que eu ainda estou finalizando

E agora eu vou começar a trabalhar em uma demo que pretendo levar para eventos no ano que vem. E sobre o porquê de fazer para essas plataformas, é porque eu sempre amei a Sega, sou uma viúva do Dreamcast, rsrs

Você conhece outros desenvolvedores de plataformas antigas?

Apenas através de fóruns na internet, pessoalmente nenhum.

O que você achou do Pier Solar?

Maravilhoso! Acho que foi o jogo que definiu que ainda existe espaço para os consoles antigos, principalmente se estiverem em português.

Você pretende fazer os seus jogos em português?

Sim! Com certeza

E para o Mega Drive, algum projeto em mente?

Com certeza está nos planos! Primeiro eu vou dar uma priorizada em deixar a versão do Saturn e Dreamcast redondas, eu quero muito levar esse projeto para a Brasil Game Show 2017.

Eu até comprei o novo Mega Drive para fazer uns testes com a entrada SD.

Legal, e o que você achou do novo Mega Drive?

Olha, na minha opinião o único vacilo foi a falta do HDMI. Uma coisa que eu estou gostando de ver é o marketing da Tectoy nas redes sociais. Se você comparar a empresa de anos atrás e agora, parecem duas companhias diferentes. A Tectoy estava meio perdida antes, tinha esquecido a própria história, e agora poder vê-la relembrando isso é muito bom.

Poderia dar mais detalhes sobre o seu jogo?

Meu jogo vai ter um ar bem de Metroid, e o enredo vai ser inspirado no Sinal Wow. Eu vou aproveitar que estou fazendo o jogo para diferentes plataformas e criar uma interação entre elas. Por exemplo, quando você finalizar um level nos consoles, vai aparecer um QR Code, que se escaneado na versão do celular, vai liberar alguns itens, mapas, etc.

Você escolheu esse estilo por causa do Metroid? Você é fã da série?

Sim!!! Sempre gostei de Metroid e acho que falta um jogo do gênero para as máquinas da Sega! Tenho um carinho especial pelo “Super Metroid” do Super Nintendo e pelo remake do Game Boy feito por um fã esse ano. Também gosto bastante da série Prime do Game Cube.

Quais os maiores desafios que você teve durante a criação do jogo?

O maior desafio com certeza foi descobrir como funcionam as coisas, tipo não existe muita documentação para consoles antigos, então você tem que fazer na base do teste, até achar as melhores configurações. As informações estão todas espalhadas pela net e você tem que ir caçando conforme a necessidade.

Você morou na Austrália, como é o cenário indie gamer de lá comparado com o do Brasil?

Eu morei lá por dois anos e percebi que apesar do mercado no Brasil ser muito maior e os brasileiros serem mais fanáticos por games, na Austrália rola uns incentivos por parte do governo que facilita bastante nessa questão de abrir empresa. Infelizmente os games ainda são muito marginalizados aqui no Brasil.

Alguma consideração final?

Queria agradecer a toda comunidade que tem apoiado o meu projeto e também à Tectoy por essa oportunidade.  E que neste ano de 2017 meu plano principal é de levar uma demo do game para todos os eventos possíveis!

No mês que vem vamos liberar a engine para o público e dia 29 de abril estaremos em um evento em Jundiaí.

Estou finalizando a ferramenta de fazer jogos para Dreamcast e Saturn e vou disponibilizar ela para download nesse link em breve.

Além disso, no dia 29 de Abril levarei uma demo do Survival Code do Saturn e do Dreamcast nesse evento em Jundiai. 

Todos estão convidados. Espero voltar com boas notícias em breve, vlw!

2017 será um ano que entrará para historia para os fãs da Sega no Brasil.

  • E eu farei parte dos gráficos de SURVIVAL CODE 🙂

  • Fabio Zamprogna Dos Santos

    Luiz Monstro.