A série Castlevania já esteve em vários sistemas – inclusive no Mega Drive – e hoje é mundialmente conhecida. Mas nos anos 80 quem quisesse conhecer a saga da família Belmont nos videogames caseiros, era obrigado a comprar um Nintendinho, já que a Big N exigia contratos de exclusividade das desenvolvedoras para o seu console.

Esse monopólio prejudicou outros sistemas, em especial o Master System, que não podia contar com os títulos mais populares da época, como Castlevania. Para resolver essa carência no 8 Bits, a Sega lançou em 1992 “Master of Darkness“, um jogo de plataforma 2D que segue fielmente a cartilha criada por Castlevania anos antes – e vale lembrar que, pelo teor adulto do jogo, ele não é recomendado para crianças muito pequenas.

Em 92 o Master System já não tinha mercado nos EUA e Japão, porém na Europa e Brasil a história era outra, e o jogo se tornou bem conhecido nestas regiões, apresentado um nível de qualidade altíssimo (maior inclusive que os três Castlevanias lançados no NES).

Reino das Trevas

No papel de protagonista não temos o chicote de um caçador de vampiros, mas sim um parapsicólogo (que estuda fenômenos paranormais e psíquicos) Dr Ferninand Social. Estamos no século XIX em plena Era Vitoriana em Londres, quando nosso jovem herói recebe avisos de seus guardiões espirituais através de uma tábua Ouija, dizendo que horríveis assassinatos aconteceriam, a menos que a fonte desse mal fosse eliminado: Drácula, o Príncipe das Trevas.

A caçada se inicia nos arredores do famoso Rio Tâmisa em Londres onde ele enfrentará o assassino Jack, o Estripador, passando por outros 13 cenários até o seu confronto final com o senhor dos vampiros. Algo muito bacana é que Master of Darkness traz várias cutscenes entre as fases, que vão contando aos poucos a história do jogo, servindo também para localizar o jogador dentro do game e os motivos de estar ali , e não apenas jogando-o em cenários aleatórios.

Já no começo as semelhanças com Castlevania gritam na tela, a começar pela interface de usuário no topo da tela, passando pelas fases macabras, a jogabilidade do Dr Social, e até as músicas soam como o clássico da Konami.

Mas claro, existem diferenças que tornam o game bem interessante, como a possibilidade de se usar várias armas, com alcance e poder diferentes entre si. São dois tipos de armas: as primárias, com uso ilimitado (facas, espadas, estacas, machados), e as secundárias, com limite de uso (como a pistola, bombas, bumerangues, projéteis).

Os gráficos são muito bem trabalhados, com cenários de fundo cheios de detalhes interessantes e bem variados – muitos deles inclusive com animações de árvores ou nuvens se mexendo, tochas e lamparinas acesas, entre outros pequenos detalhes que dão mais vida ao jogo (algo não muito comum na geração 8 bits, que em sua maioria contava com telas estáticas ao fundo).

O design do personagem principal está muito bem feito, assim como os demais inimigos, em sua maioria criaturas das trevas como espíritos malignos, zumbis, esqueletos, etc – além de tamanhos grandes na tela, os mesmos são cheios de detalhes e animações.

A trilha sonora acompanha o nível de qualidade, com temas sombrios bem ao estilo de Castlevania, que dão a atmosfera perfeita para os caçadores de vampiros do Master System.

O único ponto que pode desapontar alguns jogadores é o seu nível de dificuldade muito baixa, especialmente quando comparado com as pedreiras que eram os Castlevanias. Os estágios são bem lineares e os inimigos não oferecem grande desafios, incluindo os chefões, que são bem genéricos e poderiam ter um maior destaque. Para piorar, vários frascos de energia (nada de galinha assada aqui!) podem ser encontrados ao longo do caminho, deixando tudo ainda mais fácil.

Conclusão

Master of Darkness” pode ter surgido como uma “cópia” de Castlevania, mas o fez com uma alta qualidade que impressionou os donos de um Master System, que finalmente tinham um sólido representante no estilo imortalizado pela série da Konami. Um game divertido que vale muito a pena conhecer, que também está disponível no portátil Game Gear, em uma versão muito similar ao do seu irmão 8 bits!

  • Vinícius Esteves

    Joguei muito em 1993, e logo que voltei a colecionar, tratei de adquirir meu exemplar. Jogaço!

  • lagranzotto

    Mas afinal a dificuldade do Master of Darkness era baixa ou alta? Num parágrafo fala que ele é difícil, mais difícil que os Castlevanias do NES e mais a frente no texto fala que ele era mais fácil. É bom se decidir!

    • Renato Batista

      eu considero mais fácil que castlevania

    • Marcito

      Olá Iagranzotto, acho que você se enganou ao ler o texto, em um dos parágrafos está escrito que o jogo “apresenta um nível de QUALIDADE altíssimo (maior inclusive que os três Castlevanias lançados no NES)”. A Dificuldade de MoD é bem mais fácil que os Castlevanias do NES.

      • lagranzotto

        Verdade, nada que uma leitura mais calma em casa não resolva 😉

  • Marcos Vcm

    Meu jogo de Master System favorito, a dificuldade dele é mais baixa mas não tão mais baixa assim que os Castlevanias, um fator que pode fazer a dificuldade dele parecer menor é que seus controles são muito mais precisos que os dos primeiros Castlevanias, inclusive n tem aquelas malditas escadas que vc pensa que está subindo nos primeiros Castlevanias e na realidade n conseguiu foi fazer nada kkkkkkkkkk.

  • Wesley Costa

    Para quem achar o jogo difícil. Na tela de título pressione o direcional para cima juntamente com os botões 1e2 e entrará no menu secreto onde é possível ficar invencível e selecionar as fases. Ótimo jogo, perde apenas para o meu queridissimo phantasy star