Que saudade da adolescência… A-ha tocando na rádio e você desesperado para gravar a música na fita K-7 sem pegar a vinheta “Transamérica”, voltar da escola a pé para economizar o dinheiro do ônibus e poder comprar a Ação Games que acabou de sair e a nossa única preocupação naquela época era: “Será que vou conseguir alugar aquele lançamento que eu vi na revista se eu chegar na locadora sexta-feira depois da escola?”  e tinha que ser na sexta feira sim, pois se alugar duas fitas na sexta, só entregamos na segunda!

Quando o Mega Drive começou a bombar por nossas terrinhas (início de 1991) eu já estava com meus quase 14 anos, já era um gamer apaixonado, afinal, tinha vivenciado o Atari e estava no final da geração 8 Bits, e confesso que era apaixonado pelo jogo do encanador bigodudo.

Aliás, eu achava que meu coração já era daquela empresa e nada iria me fazer mudar de ideia, mas um belo dia, ao voltar da escola, eu me preparava para assistir a mais um episódio do maravilhoso DuckTales, que passava no SBT antes da novela Carrossel (que eu também assistia).

O interfone do meu apartamento tocou. Minha mãe logo gritou da cozinha:

“Leandro, o Mau do 83 tá te chamando urgente!!”

O que será que ele quer? O que deve ser tão urgente para me fazer perder um episódio de Ducktales? Pensei com meus botões.

É claro que a curiosidade de um garoto era muito grande e fui correndo para a casa dele. Subindo cinco andares de escadas (elevador demora muito). Ao chegar em frente à porta do apartamento já meti o dedo na campainha como se fosse o dono da casa que perdeu a chave e tá morrendo de vontade de ir ao banheiro.

O pai dele logo abriu a porta e soltou a frase: “Olá Lê… ele tá trancado no quarto… manda ele abaixar o som daquele troço…”.

Enquanto eu entrava na casa dele, ia passando pela sala e corredor e um som estranho já me alertava de que uma novidade estava para me acertar os olhos, o que eu escutava era uma narração em inglês, um narrador no estilo dos jogos de futebol que passava nos domingos a tarde, com empolgação mas totalmente em inglês, o que eu não entendia nada naquela época.

Ao abrir a porta do quarto, o som aumentou significamente, percebi que o pai dele estava com razão em reclamar.

“Lê, olha só o que eu acabei de ganhar!!’ meu amigo disse.

A primeira imagem que eu vi foi da tela da TV, uma imagem simples, de algo que não me encantou (ou chocou) tanto.

Logo em seguida fui olhar para a mão dele e vi um controle preto, fui seguindo o fio do controle até ver onde ele terminava, e na estante, logo abaixo da TV, tinha um aparelho com um número gigante destacado: 16 Bits.

Eu já tinha visto aquilo antes nas revistas, e soltei aquela frase que toda criança dos anos 90 já soltou a um amigo:

“Nossa cara!!! Você ganhou um Mega Drive!!!”

Ele estava lá jogando “Joe Montana Football” e estava adorando.

Eu sinceramente não entendia nada de futebol americano (ele sim), fiquei lá tentando jogar com ele por uns bons trinta minutos e fui aprendendo um pouco, o que me chocava não era nem a parte gráfica, mas sim a sonora com as narrações em inglês do jogo.

Pensei comigo: “Poxa, bacana, mas o meu encanador bigodudo que aprendeu a voar ‘igual um guaxinim’ é melhor que esse game, acho que vou descer daqui a pouco”.

Quando ele virou pra mim e disse:

“Agora você tem que ver esse jogo! Que da hora”.

Trocou logo de cartucho, que foi um alívio para mim, e ao ligar o console eu só ouvi uma gargalhada vindo da TV, era uma gargalhada demoníaca e sonoramente linda.

Ao olhar pra tela eu enxerguei uma cidade futurística, no game era noite, mas as luzes do cenário de fundo brilhavam de forma incrivelmente bela. O personagem que ele usava era grande, com uma espada de laser, e dava estrelas e mortais magníficos, os inimigos viam de todos os lados, robôs voando, guerreiros atirando e ele destruindo tudo.

“Por que você não colocou esse game antes e me fez sofrer por quase meia hora com o futebol americano” pensei outra vez.

Ao pegar a caixa do jogo eu já estava apaixonado, uma coisa me puxou a atenção, “8 MEGAS” era o que estava destacado na caixa. Strider era o seu nome. Após assistir ele jogar por alguns minutos, aí sim foi a minha vez de jogar.

“Que maravilhoso!! Não é tão difícil como parece, o personagem é muito ágil e. e o controle é delicioso de se segurar”. Falei pra ele todo empolgado.

Passei a noite toda lá e só pelas 23:30 é que eu desci, quando a minha mãe interfonou nervosa, e o pai dele bateu na porta dizendo: “Lê… é melhor você descer que sua mãe tá brava dizendo que é tarde e você tem aula amanhã”.

É claro que depois daquele dia, eu não tinha mais o mesmo entusiasmo para ligar meu velho console. Juntava dinheiro e ia com meu amigo nas locadoras do bairro, alugamos Castle of Illusion, Quackshot, Sonic, mas foi com uma tarde jogando Streets of Rage que eu pirei e atormentei a minha mãe até que em algumas semanas depois eu consegui ganhar o meu Mega Drive.

Mas ganhar o console não me isolou do meu amigo, pelo contrario, eu alugava as fitas e ia pra casa dele com o meu controle. Passávamos a tarde juntos jogando e nos divertindo.

Mais de 25 anos se passaram e sabe o que mudou? Nada, continuo com o meu amigo de infância (montamos até um site de filmes e games) e sempre que ou ele ou eu temos um tempinho em nossas vidas (trabalho, filhos, etc) eu pego o carro e vou até a casa dele jogar ou ele vem na minha. Mas mantemos a regra: quem vem traz o joystick.

Essa foi apenas uma lembrança gostosa que eu tenho e o Mega Drive foi responsável por ela. Ao saber que o Mega Drive seria relançado, fiquei encantado e comprei o meu no dia do anúncio. Eu tenho o Mega Drive 2 Japonês no momento, mas ele já está velhinho e dando sinais que quer se aposentar, então nada mais justo do que dar um belo descanso pra ele e curtir o novo console, console esse que virá igual o que eu tinha quando era criança.

Estou tão ansioso e até já digo para os meus amigos: “O Natal de 2017 vem mais cedo, será em Junho (data do lançamento do console da Tec Toy)”.

Deixo abaixo a minha lista de jogos prediletos, é o meu Top 5 e dá pra perceber que não são todos jogos mainstream, afinal o Mega Drive tinha MUITA coisa boa, jogos que até hoje eu acabo descobrindo e que nunca joguei.

Um abraço e bons jogos pra você.

Top 5

  • Greendog
  • Quackshot
  • Streets of Rage
  • Mick and Mack: Global Gladiators
  • Arrow Flash

Por Leandro Vallina – Blog Filmes e Games

  • leandrovallina

    obrigado pelo convite, foi delicioso relembrar essa parte da minha vida, e to em contagem regressiva para a chegada do meu novo querido Mega Drive.
    PS: Quem puder jogue o seu Top 5 nos comentários, em uma dessas eu posso descobrir algum game que nunca joguei

  • DiGamer80

    Bons tempos que não voltam mais esse de fim de era 8 bits, início de 16. O ritual de sair de casa cedo pra ir à locadora no sábado (pois só entregava na segunda) era muito prazeroso. Feliz da nossa geração que aproveitou essa época de ouro dos games com os amigos.

  • rodriguks

    Opa, legal lembrar dessa época. Lembro quando ganhei o meu e achava bem melhor que o Super Nintendo, que na época era quase que obrigatório ter! Hahahah Nunca preferi a nintendo e eu até preferia o porco-espinho ao encanador italiano… Mas a Sony chegou anos depois e não teve como não me render com o Playstation.

    P.S.: “TRÁS O JOYSTICK” tá errado! É “traz”, de trazer! =)
    Arrumem ali
    ;D
    Valeu!

  • Andrews Ferreira

    Leandro Valida tem um ótimo canal no youtube, pela primeira vez que vi foi nos vídeos do quadro “porque hoje é sábado” de Celso Affini…agora lendo esse texto me deixou todo empolgado para comprar esse Mega Drive. Tenho o mega 1 japonês e também está cansado, só tenho uma dúvida que acaba empacando na hora de comprar. Será que esse novo Mega terá trava de região??

  • Leonardo Souza

    Mais um excelente e emocionante relato !

    E que venha Junho com sua maravilhosa notícia: “O relançamento do Mega Drive”

    Eu já garanti o meu !!!

    TECTOY ESTAMOS COM VOCÊS !

  • alySSa #5

    poxa, assim que a Tectoy lançou o Mega Drive no Brasil, um menino da minha rua ganhou um e chamou somente os meninos para jogar. a mim ele disse que fosse aprender a cozinhar com a minha mãe. como o meu aniversário seria no mês seguinte, eu não me importei, apenas soube o que pediria de presente. então eu pedi a minha mãe um MD japonês. dois dias antes do meu aniversário, saímos da minha cidade, Limeira, e fomos até a Sampa comprar o MD que tinha de ser o japonês. me lembro até hoje da minha mãe dizendo “mas tem que ser japonês?”. pois bem, eu dei duas sortes. uma que eu ganhei o MD japonês que eu queria e outra que na véspera do meu aniversário caiu uma tempestade tão forte em Limeira e uma das oscilações de energia torrou a fonte do MD do menino. mas disso eu fiquei sabendo no dia do aniversário, quando ele disse todo murcho “o meu MD estragou ontem…”.