Há exatos 30 anos era lançado “Phantasy Star” para o Master System no Japão, o RPG que revolucionou a indústria. No Brasil o jogo chegou só em 1991 pela Tectoy, mas com uma grande novidade: era totalmente em português!

Na época jogos de plataforma eram mais populares, sendo que os RPGs não faziam tanto sucesso pois eram títulos mais complexos que necessitavam do conhecimento de outro idioma para um aproveitamento 100%. No Japão e EUA esse estilo já se tornava popular graças ao sucesso de títulos como “The Legend of Zelda”, “Dragon Quest” e “Final Fantasy”, mas no Brasil o principal responsável por popularizar o gênero foi mesmo “Phantasy Star“.

De todos esses títulos consagrados citados, “Phantasy Star” certamente é o mais criativo e melhor estruturado tecnicamente em termos de complexidade, narrativa e visuais (tinha impressionantes 4 megabits, enquanto os concorrentes mal chegavam a 1 megabits) e traz uma outra grande novidade para o gênero: uma das primeiras protagonistas femininas em um game!

Alis Landale veio ao mundo não como uma “mocinha a ser salva” ou ainda como uma personagem sexualizada para atender aos fetiches masculinos (todo o seu corpo é coberto por roupas e armadura), mas sim como uma heroína que jura vingança pela morte injusta do seu irmão e a missão de destruir o homem mais poderoso do universo.

Mas todo esse apelo feminino tem um nome: Rieko Kodama, a game designer responsável pela criação do jogo. A equipe ainda conta com outros nomes que viriam a ser reconhecidos na Sega como Yuji Naka, o “pai do Sonic” como principal programador, Naoto Oshima (cocriador de Sonic) como designer e Tokuhiko “Bo” Uwabo (criador do som de Alex Kidd in Miracle World entre outros) na trilha sonora. Aliás, vale lembrar que a versão japonesa conta com um chip FM que deixa as músicas ainda mais sofisticadas que a versão ocidental (que já é ótima!).

Rieko Kodama e Yuji Naka posando com a versão japonesa de Phantasy Star

Outro elemento que o diferencia dos games do gênero na época era a sua narrativa e ambientação no estilo futurista/fantasia e não totalmente medieval, onde o jogador pode viajar para outros mundos e enfrentar inimigos com armas avançadas – mas os bons e velhos monstros, espadas e magias também marcam presença.

Um recurso interessante é a opção de se falar com os monstros que você encontra, alguns são até amistosos e vão embora. O jogo tem fortes influências da série Star Wars (como os seus criadores mesmo já falaram) o que o deixou ainda mais interessante.

Os visuais do game são incríveis, com cenários detalhados, ctuscenes em estilo anime, criaturas com design artístico inspirado e impressionantes labirintos 3D em primeira pessoa! Era um verdadeiro “monstro” para um videogame 8 Bits.

    

percebe-se muitas influências de Star Wars no game

Uma aventura épica espacial se inicia!

A história se passa no sistema estelar Algol, localizado na Galáxia de Andrômeda e composto por três planetas que giram em torno de uma estrela. São eles: Palma, Dezoris e Motávia. O planeta Dezoris é quase inexplorado, com um clima frio rigoroso e habitantes nada amigáveis. Motávia é um planeta desértico e pouco colonizado. E Palma é o centro de Algol, um mundo bem parecido com a Terra, com montanhas, densas florestas e vastos oceanos. A população é tecnologicamente avançada.

Sistema Estelar Algol

Algol é regida pelo rei Lassic, um governante justo e benevolente que exerce controle total sobre o sistema. Porém, já com idade avançada e com medo de morrer, Lassic entra em um culto que promete vida eterna aos seus seguidores.

Ele recebeu uma armadura negra e de acordo com alguns boatos, depois que ele entrou para a nova religião, sua alma se corrompeu. Lassic havia mudado, tornou-se um tirano cruel e inescrupuloso. O caos espalhou-se por Algol, e tudo apenas piorou com o surgimento de monstros sanguinários sobre a superfície dos três planetas, que assustavam a população. Os Robotcops, os guardas de Lassic, reprimiam duramente o povo que se revoltava.

Alguns grupos rebeldes se formaram com o objetivo de lutar pela liberdade da população, destronar Lassic e restaurar a paz e prosperidade em seus mundos. Um desses grupos de resistência estava em uma cidade palmiana chamada Camineet.

gráficos e visuais revolucionários para a época

Durante uma revolta nas ruas de Camineet, Nero Landale, um dos integrantes dos grupos de revolta contra Lassic, foi cruelmente assassinado pelos Robotcops. Alis Landale, sua irmã, teve Nero em seus braços enquanto ele morria e ouviu suas últimas palavras, que diziam para procurar um poderoso guerreiro chamado Odin, vingar-se de Lassic e salvar Algol de sua tirania.

E assim começa uma das mais incríveis e épicas aventuras dos videogames, que mesmo 30 anos depois do seu lançamento, ainda consegue encantar jogadores de todas as idades!

Conte para nós quais são suas lembranças com o clássico “Phantasy Star“!

uma incrível fanart de Alis feita por Haven9270

a belíssima arte da capa da versão japonesa

e a versão ocidental, também lançada aqui no Brasil 

  • GUILHERME CAMARGO

    Bem que a Tectoy poderia relançar esse jogo. Uma edição comemorativa dos 30 anos, cairia bem.

    • Akise Aru

      Tinham que lançar os remakes na Steam isso sim.

  • Ricardo Dias Almeida

    Joguei pela primeira vez em janeiro de 1992. Foi paixão à primeira vista. Durante o ano de 92, eu e meu irmão jogamos novamente e pudemos chegar ao final, com apoio de alguns guias. Mas até hoje é meu RPG favorito e seu enredo é referência para muitas coisas.

    Meu desejo é fechar a saga toda até o final da vida, kkkk. Incluindo os remakes do PS2…

  • Akise Aru

    Esses nomes americanos são horríveis.