Após o sucesso da postagem do Phantasy Star I para Master System, nós da equipe Tectoy resolvemos trazer uma série falando um pouco sobre os games clássicos de RPG. E nada mais justo que seguir a ordem cronológica, e continuar com o Phantasy Star II, que originalmente foi lançado em 1989, e também teve uma tradução em português feita pela Tectoy em 1996.

Assim como o primeiro usava um cartucho de 4 megabits no Master, sua sequência também era “ambiciosa” para os padrões da época, e foi pioneiro em utilizar um cartucho de 6 megabits. Com isso, era possível colocar gráficos e músicas mais sofisticados que os jogos demais, e com isso transmitir uma experiência imersiva.

A equipe de produção era praticamente a mesma, incluindo a programação de Yuji Naka, que futuramente seria conhecido como o pai do Sonic, Naoto Ohshima para as artes, que também ficaria eternizado por ter inventado o ouriço dois anos depois, e Rieko Kodama, a designer de jogos de sucesso da época.

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Um pouco de história…

Se passando no ano de AW 1284, o planeta Motávia deixou de ser desértico, e passou a ter vida e água em abundância nos mesmos moldes de Palma.  Isso graças ao super computador “Cérebro-Mãe”, que monitora o clima, o bio-sistema, as estações do ano, e tudo para dar uma vida confortável aos que vivem lá.

Só que eventualmente Motávia começa a ter bio-monstros, e é neste contexto que o governador da cidade de Paseo (comandante na versão americana) convoca Rolf para investigar o que está acontecendo. Rolf  é um jovem soldado com o talento em manejar espadas desde quando era criança e morava em um orfanato após a morte de seus pais.

Se unindo a uma outra personagem, Nei, ambos resolvem investigar o que está acontecendo. Eles não imaginariam que que essa desordem era apenas a “ponta do iceberg” de uma conspiração que ameaça o futuro de todo o sistema solar de Algol.

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Inovar é a palavra de ordem! 

Phantasy Star II provavelmente se inspirou em Final Fantasy quanto a continuação ter personagens inéditos e uma história independente. No entanto, diferente deste, a SEGA quis que o título se passasse no mesmo universo do primeiro, só que mil anos depois.

Ou seja, tudo é diferente: a época é outra, a tecnologia também, os personagens, as motivações, e por aí vai. No entanto, há continuidade com o jogo anterior, algumas cidades possuem nomes iguais, o sistema solar é o mesmo, e a história e os heróis da primeira aventura acabaram se tornando lendas.

Outro ponto que inovaram é o sistema de batalha, sendo que desta vez você vê seu personagem de costas, e não apenas o inimigo em primeira pessoa como o primeiro jogo, sendo mais um ponto que deu identidade a série.

O game também foi pioneiro em se passar num universo inteiramente de ficção científica, também em ter uma história dramática, séria e com eventos trágicos comparado aos jogos da época, além de explorar a fundo as motivações individuais dos personagens, influenciando inúmeros RPGs subsequentes.  Vale dizer que foi o primeiro RPG de 16 bits.

Dungeons, por que tão gigantes?! 

ikutoImagem: Fantasy Anime

Já as dungeons em primeira pessoa do primeiro game deram lugar a um mapa mais tradicional como outros jogos do gênero, mantendo a visão aérea dos personagens. O detalhe é que elas são gigantescas, com diversos caminhos a serem seguidos, passagens secretas, inúmeras portas, paredes quebráveis, teletransportadores, e outras coisas, que não é incomum você se perder nelas.

Segundo rumores, a razão por trás disso foi a contratação de um estagiário que ficou responsável  em criar esses mapas. Querendo “mostrar serviço”, ele tratou de caprichar ao máximo para deixar os cenários grandes e com muitos lugares a serem explorados, só que acabou exagerando.

Quando a equipe de desenvolvimento foi conferir o trabalho, eles não quiseram desperdiçar todos os esforços colocados, e decidiram deixar do jeito que está, só que vendiam um guia separado de 110 páginas para as pessoas conseguirem zerar o título.  Nos EUA, este guia vinha junto com o jogo.

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Mais um clássico do Mega Drive!

Phantasy Star II até parece ter um visual fraco quando comparamos com outros jogos do console, não utilizando todo o potencial do mesmo. No entanto, este título faz parte da primeira leva de games para o Mega, tendo sido lançado em 1989, e para a época era impressionante.

A jogabilidade é a típica dos RPGs com batalhas em turnos, encontro aleatório de inimigos, exploração de cenários, visita a cidades para comprar equipamentos e conversar com pessoas, etc.  Tudo funciona de modo preciso e é simples “dominar os controles”. O único ponto negativo fica na velocidade do personagem, que anda de forma lenta, e isso é agravado pelo tamanho dos cenários.

A trilha sonora também não deixa a desejar, com composições memoráveis e combinam com cada momento proposto. A versão japonesa conta com uma batida “mais forte” na bateria,  e assim como aconteceu com o jogo original, há muita discussão na comunidade de fãs sobre qual versão das músicas é a melhor.

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Já a tradução da Tectoy ficou bastante caprichada, contando com diálogos precisos, e uma aproximação maior com a versão japonesa, considerando que a americana fez adaptações que acabavam perdendo um pouco do sentido original.

O detalhe é que, assim como o primeiro Phantasy Star, não há acentos, devido a impossibilidade de implementá-lo nos dados do jogo. Vale dizer que a tradução também chegou tardiamente para nós, somente no ano de 1996, cerca de sete anos após o lançamento no resto do mundo.

Phantasy Star II é um clássico dos JRPGs, e merece ser jogado pelos amantes do gênero, e aqueles que querem conhecer a origem de diversos elementos que influenciaram a indústria videogamística. No entanto, prepare-se para uma aventura “hardcore”, pois o título é, no mínimo, muito difícil, sendo indicado mais para aqueles que curtem superar um grande desafio, e não aqueles que querem experienciar algo descompromissado.