Quando Maximum Carnage chegou ao mercado em 1994, seu sucesso foi muito alto entre os fãs do Homem-Aranha, o que lhe rendeu no ano seguinte uma sequência direta chamada Venom/Spider-Man: Separation Anxiety, que assim como o antecessor, também saiu no Mega Drive.

Mais uma vez os dois arqui-rivais precisam deixar suas diferenças de lado e trabalhar juntos para derrotar o terrível Carnificina, mas não apenas ele, como também a “Fundação Vida”, uma empresa de pesquisas científicas que havia capturado Venom e criado a partir dele cinco simbiontes altamente perigosos, que precisam ser detidos o quanto antes.

Venom e Homem-Aranha juntos enfrentando criminosos

Para ajudá-los na árdua tarefa que está por vir, ambos contam com a ajuda de outros super-heróis, no caso, o Capitão América, Motoqueiro Fantasma, Demolidor e o Gavião Arqueiro, que fazem aparições cameo na jornada, quando o jogador adquire a habilidade para chamá-los.

Embora o nome do game seja por causa da HQ “Venom: Separation Anxiety”, ele é muito mais baseado em “Venom: Lethal Protector”, que marcou a primeira vez na qual Eddie Brock recebeu uma série na qual ele era o protagonista e aonde Venom não era um vilão como costumava ser até então, mas sim um anti-herói. É justamente nessa série de história em quadrinhos que Aranha e Venom enfrentam a “Fundação Vida” e também os simbiontes que aparecem no jogo.

HQs “Venom: Separation Anxiety #1” e “Venom: Lethal Protector #5”

Um jeito mais simples de contar a história

Ao contrário de Maximum Carnage, que tinha sua história contada através de imagens semi-animadas de histórias em quadrinhos, aqui isso infelizmente não ocorre. Os desenvolvedores da Software Creations desta vez optaram por narrar todos os detalhes através de apenas texto, o que é uma pena. O interessante nisso, no entanto, é que dependendo de como você decidir encarar a aventura, os textos mudam.

Em Separation Anxiety você consegue jogar com dois jogadores, um controlando o Homem-Aranha e outro no comando do Venom. É a melhor característica do game se comparado com o antecessor, que não tem suporte para isso. Se preferir encarar a aventura sozinho, dá para optar entre um ou o outro. De acordo com a situação, os textos que você vê explicando a história são diferentes, se adequando a algo com maior destaque para o Homem-Aranha, Venom ou ambos, o que acaba deixando aqueles que gostarem mais do game com vontade de zerá-lo mais de uma vez, para que consigam conferir tudo relacionado com a trama.

Venom contra os membros da “Fundação Vida”

Seja qual for o personagem que você preferir usar, estará muito bem servido.  A indicação no entanto para quem for jogar pela primeira vez é começar por Venom. O game é um pouco mais fácil com ele devido ao seu golpe especial que atinge todos os inimigos na tela. Mas fique tranquilo, pois tirando esse detalhe, o Homem-Aranha também é ótimo, pois consegue usar suas teias para se balançar, agarrar os inimigos, imobilizá-los e defender-se, assim como seu arqui-rival.

Perigo por todos os lados

A dificuldade de Separation Anxiety pode ser sentida de imediato, ainda na primeira fase. Os inimigos agem para cercarem você, de modo a impedi-lo que consiga atacar livremente. Imobilizar um deles é sempre uma boa tática, a qual você precisa se acostumar o quanto antes. Ficar apenas distribuindo socos e ignorar os poderes especiais que o game lhe oferece não é uma escolha muito sábia.

Você enfrentará diversos tipos de adversários, mas sem dúvida os principais são os membros da equipe de vigilantes “The Jury”. um grupo criado inicialmente para destruir Venom. Na HQ, o filho mais velho de seu fundador foi sufocado até a morte pelo traje simbiótico de Venom em sua tentativa de escapar de uma prisão feita para criminosos com super poderes.

Os cinco simbiontes que Venom e Homem-Aranha precisam derrotar

Assim como os inimigos normais, os chefes do game também dão trabalho se enfrentados de forma equivocada, especialmente os simbiontes que você está caçando. São adversários formidáveis que podem acabar com todas as suas vidas rapidamente. Se puder chamar um super-herói para te ajudar, não deve hesitar em fazê-lo quando a situação estiver complicada.

Da mesma forma que no antecessor, você deve explorar minunciosamente os cenários, que aqui possuem um design mais simplificado e contém um espaço maior para você movimentar-se. Vasculhá-los é algo fundamental para encontrar energia e vidas extras, isso sem falar nas salas secretas repletas destas duas coisas e muito mais. 

Os vigilantes da força-tarefa “The Jury” não dão sossego para
Venom e Aranha no game (Imagem – Venom: Lethal Protector #2)

Cadê a música do Green Jellÿ?

Um dos pontos altos de Maximum Carnage era sem dúvida a trilha sonora composta pela banda americana Green Jellÿ. Músicas que foram gravadas e em seguida ganharam renderizações computadorizadas, algo necessário para que pudessem ser colocadas no game naquela época.

Embora a trilha de Separation Anxiety não seja de todo ruim, ela nem chega perto daquela que toca no antecessor na maior parte do tempo. O fato de terem sido usados aqui pedaços das músicas do jogo anterior, deixa ainda mais claro que o material que criaram para este game nesse aspecto parece ter sido algo feito claramente às pressas.

Capa do jogo na versão do Mega Drive vendida pela Tectoy

Vale ou não a pena?

Separation Anxiety, baseado em HQs onde Venom é o personagem principal e não o Homem-Aranha, pode sim ser considerado pior do que Maximum Carnage na opinião de muita gente, mas isso não quer dizer que ele deva ser ignorado. Quem gostou do primeiro game muito provavelmente vai curtir a sequência, pois apesar da sua completa falta de originalidade, ele tem uma jogabilidade que agrada. Curtirá ainda mais aquele que tiver um amigo com quem jogar, formando a dupla Homem-Aranha e Venom para dar cabo de criminosos, algo verdadeiramente divertido de se experimentar.

Curiosidade: A ideia original do traje negro para o Homem-Aranha que viria a tornar-se o personagem Venom foi criada por um leitor da Marvel Comics em 1982, que vendeu a ideia à empresa por apenas US$ 220.

  • Marcelo Cleto

    Tectoy.. sai quando a atualização do novo mega drive corrigindo a extensa lista de bugs, travamentos e lentidões ?????????

  • Mario

    Não tem comparação com Maximum Carnage! É tudo pior! Gráficos, som, dificuldade (bem mais fácil, perdendo a graça do desafio).
    Fizeram por fazer.