Hoje é Sexta-Feira 13, dia do coisa-ruim-tinhoso, do gato preto e das bruxas que estão soltas. Então nada melhor do que relembrar de um clássico de terror do Mega Drive: “Splatterhouse 3“.

A terceira e última aventura lançada para o 16 Bits da Sega em 1993 pela Namco (hoje Bandai Namco) e sem dúvida o jogo mais sangrento e violento da geração 16 Bits. Os dois títulos anteriores renderam uma boa fama para Rick e sua máscara maligna, que não por acaso é bem semelhante com a do Jason da franquia “Sexta-Feira 13”.

Aproveitando o sucesso de games de pancadaria como “Streets of Rage”, a produtora resolveu lançar o seu próprio beat’m up no mercado. Como manda o manual de “como se fazer boas sequências“, o terceiro game apresenta melhores gráficos, mais sangue e violência, mais suspense e uma história mais detalhada e ampliada do universo criado nos títulos anteriores, além da possibilidade de quatro finais diferentes. Tudo para ser um grande sucesso. E realmente o foi.

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O Capítulo Final

Cinco anos se passaram desde que Rick salvou sua namorada Jennifer de hordas demoníacas, usando a máscara sobrenatural que lhe aumentava a força e fornecia novos poderes – e que aparentemente foi destruída. Os dois agora estão casados e têm um filho chamado David.

Rick fez fama e dinheiro em Wall Street e comprou uma mansão em Connecticut. As terríveis lembranças da Máscara do Terror e das hordas de monstros e criaturas ficaram para trás. Ele tem uma esposa e um filho. A vida é boa, linda e confortável.

Mas essa vida boa está para terminar. A Máscara uma vez mais retorna, graças a uma antiga força maligna que se manifesta em nosso mundo. Rick começa a ter pesadelos com a máscara novamente, que conversa com ele em seus sonhos. Jennifer e David desaparecem, e sua mansão é invadida por dezenas de monstros. Uma vez mais, Rick terá que usar a máscara para derrotar as criaturas malignas e encontrar os seus entes queridos.

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Monstros bizarros, herói bizarro, tudo bizarro

Já na abertura do game podemos perceber uma melhora significativa dos outros títulos. Temos uma música perturbadora, imagens digitalizadas de atores reais muito bem feitas e dramáticas, que deu um clima de tensão e terror muito além do esperado para a época e vozes digitalizadas que complementavam a atmosfera assustadora.

A Máscara conversa com Rick durante o game, servindo como uma guia dentro da mansão, e aparentemente ajudando-o a encontrar Jennifer e David, que foram aprisionados pela entidade maligna Evil One.

Todos os estágios do game se passam nos diversos cenários da gigantesca mansão de Rick. Os visuais do game melhoraram muito em comparação aos outros dois jogos, bem mais detalhados e sangrentos, e que realmente impressionam na tela da televisão para os padrões dos jogos daquele tempo.

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O design dos monstros estão mais criativos e bizarros do que nunca (os melhores são o chefe da terceira fase, o ursinho de David que se transforma em um monstro e o chefão final do game, que é a própria máscara), os ambientes da mansão apresentam sangue, tripas e outras coisas nojentas espalhadas pelo chão, teto e paredes.

Além disso, há várias cutscenes com imagens digitalizadas que criam um clima ainda mais assustador. Rick e sua máscara também foram redesenhados. A máscara agora tem um aspecto bem mais sombrio e assustador, e pela primeira vez na série conversa com o protagonista durante o jogo. Rick por sua vez, pode se transformar num gigante bombadão, ficando ainda mais forte e ameaçador – foi esse visual que serviu de inspiração para o remake da série em 2010.

Mas a mudança mais radical certamente foi em sua jogabilidade, agora não-linear com várias escolhas de trajetos até chegar ao chefão da fase e vários novos golpes. Além de socos e chutes, Rick pode agarrar seus adversários e dar cabeçadas ou jogá-los para longe, além de possuir um Roundhouse Kick de fazer inveja ao Chuck Norris.

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A maioria dos cenários possui quatro caminhos, que só serão liberados depois de Rick matar todos os monstros naquele ambiente. Há um mapa que mostra todos os quartos e onde está localizado o chefão, o principal objetivo. É possível andar pelos cenários quantas vezes quiser, algumas salas estão repletas de monstrengos, outras vazias e outras com alguns sustos especiais, como um quadro na parede que se rasga e começa a sangrar.

Outra grande inovação é o fator tempo, que vai influenciar diretamente o desenrolar da história e o final do jogo. Se o tempo acabar enquanto você estiver jogando, Jennifer e David podem morrer. O jogo possui quatro finais possíveis, sendo que um é o ideal (a máscara é destruída e todos ficam bem), dois mais ou menos e o outro que é o cão chupando manga, e todo mundo se ferra.

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O fator replay do jogo é muito bom, já que apresenta vários trajetos e quatro finais diferentes, além de um estágio secreto chamado “Stage X”, que só pode ser acessado quando se termina a fase com mais de dois minutos adiantados ao relógio.

A trilha sonora está muito boa também, com composições macabras e sombrias que se encaixam perfeitamente ao estilo da aventura mórbida. Geralmente as vozes digitalizadas no Mega Drive ficam meio roucas, mas aqui esse fator só serviu para deixar ainda melhor os berros e urros de monstros.

Splatterhouse 3” é o melhor e mais aterrorizante capítulo da série. O título apresenta incríveis gráficos, uma maior quantidade de sangue/violência e uma história mais detalhada e ampliada do universo criado nos títulos anteriores, além da possibilidade de quatro finais diferentes e uma jogabilidade de pancadaria não linear, finalizando a série em grande estilo. Um dos melhores jogos do Mega Drive, obrigatório para os fãs do console e do gênero de terror – arregaçar monstros macabros e outras criaturas nojentas nunca foi tão aterrorizante – ou divertido!

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