A Febre das Tartarugas

Falar de Tartarugas Ninjas é remeter-se completamente ao passado, mais precisamente ao início da década de 1990, onde estes adoráveis répteis tinham uma fama invejável, seja nos EUA ou no Brasil. Na televisão elas mandavam muito bem, com um desenho animado que fazia qualquer criança sonhar em virar um ninja, para o desespero de pais e mães por todo o país.

No cinema elas seguiam com o mesmo nível de sucesso, sendo que em 1990 o primeiro filme delas saiu em cartaz no mundo inteiro, causando uma comoção sem igual, um verdadeiro Turtle Time nos quatro cantos do globo com uma meninada ensandecida gritando Cowabunga a plenos pulmões. O filme fez tanto sucesso que é considerado, ainda hoje, a segunda maior produção independente já feita com uma bilheteria mundial de 202 milhões de dólares. Pode parecer pouco, mas ele custou “apenas” 13 milhões de dólares para ser feito.

E neste ínterim tínhamos uma empresa que apostou pesado neste grupo de adolescentes estranhos, guiados por um rato mestre em artes marciais, chamada Konami e que lançou em 1989 o jogo Teenage Mutant Ninja Turtles para NES. E no controle de Leonardo, Raphael, Michelangelo e Donatello o jogador deveria percorrer ruas, esgotos e armazéns para acabar com os planos do vilão Destruidor.

Vieram outros jogos utilizando os personagens para muitos sistemas, mas o nosso foco é o Mega Drive e, por conseguinte, vamos falar um pouco acerca de um dos melhores jogos da franquia, o Hyperstone Heist.

Vamos encolher tudo

“Teenage Mutant Ninja Turtles: The Hyperstone Heist”, lançado em 1992, segue a boa e velha fórmula dos games de pancadaria 2D, em especial do super clássico “Teenage Mutant Ninjas Turtles: The Arcade Game”, lançado em 1989 para os arcades e o famosíssimo “Turtles in Time” de 1991 (também para arcades e com uma versão no Super Nintendo).

A narrativa mostra o misterioso sumiço da Ilha de Manhattan pelas mãos do Destruidor, que está de posse das Hyperstones, pedras que lhe dão um enorme poder, entre estes, a capacidade de encolher cidades inteiras. Agora vai depender das nossas queridas Tartarugas Ninjas de impedir o seu velho inimigo de conquistar o mundo.

TMNT: Hyperstone Heist tem a sua jogabilidade profundamente enraizada num dos melhores títulos das Tartarugas Ninjas que é o Turtles in Time. Por conta dos contratos de exclusividades que a Nintendo tinha com quase todas as empresas na época, a Konami teve de ser um pouco criativa e trazer, de uma forma ou de outra, o Turtles in Time para o Mega Drive mas sem ser o jogo propriamente dito.

Então com um retoque ali, retiradas de fase aqui e ali e uma redefinição da história, apareceu o Hyperstone Heist, que tem quase todos os elementos do já supracitado título. Com a velocidade do Mega Drive ao seu favor, o jogo conta com uma ação ainda mais incessante e uma combinação de golpes que se encaixam de uma melhor forma do que a versão do Super Nintendo.

Os seus gráficos ficam em pé de igualdade para com a sua contra-partida da Nintendo que só tem um único defeito: não poder jogar os inimigos contra a tela, mas ainda assim, é um golpe que não faz tanta falta como imaginamos.

A sua trilha não é batida

Uma das coisas que podem ser ditas é que Tartarugas Ninjas: Hyperstone Heist é bem fiel ao jogo original do arcade no que tange a sua trilha sonora, com exceção, claro, das fases inexistentes de uma versão a outra. Mas as que têm temas musicais iguais,  é possível perceber que a Konami conseguiu transpor de uma forma fenomenal para a versão caseira.

A força incomum que temos nestas duas trilhas sonoras, por exemplo, é uma demonstração daquilo que a Konami conseguia tirar sem suar a camisa com o chip sonoro do Mega Drive e da placa de arcade no qual se deriva o jogo original, o Turtles in Time.  Temos aqui músicas que merecem, e muito, ser ouvidas com fones de ouvido e no mais alto e claro bom som.

Um jogo fora de série que merece ter na sua coleção, seja você um tartarugamaniaco ou não!