Vários jogos marcaram o Mega Drive ao longo de sua vida, mas um gênero que sempre atraiu a atenção dos fãs é o shoot’em up, também conhecido carinhosamente pelos brasileiros como jogos de “navinha“, que faziam bonito no console de 16 Bits da Sega, especialmente pelo seu rápido processador que permitia ação veloz e muitos inimigos na tela – elementos essenciais em um bom jogo de “navinha”.

Desde o lançamento de “Thunder Force II” (um dos primeiros games do gênero a aparecer no console) o Mega Drive foi uma das melhores casas para esse tipo de jogo com inúmeros títulos inesquecíveis, sendo um deles “Thunder Force IV” (também conhecido como Lightening Force: Quest for the Darkstar), lançado há exatamente 25 anos, em 27 de julho de 1992.

Apesar de meio esquecida atualmente, a série “Thunder Force” fez história nos anos 80 e 90, marcando toda uma geração de gamers. Produzida pela saudosa Technosoft, o primeiro game foi lançado em 1984 para computadores japoneses da época, mas foi no Mega Drive que a série ficou conhecida e onde havia achado o lugar perfeito para o seus games.

Por trás da Thunder Force

Para sabermos melhor a história de “Thunder Force IV”, é melhor dar uma olhada na história dos jogos anteriores, já que é uma continuação direta deles:

Thunder Force: O império ORN (os vilões do jogo) construíram uma enorme fortaleza em um asteroide chamado de Dyradeizer. Esses terroristas galácticos têm como missão destruir a Federação Galáctica (os mocinhos). Essa fortaleza, que além de possuir um poderoso armamento bélico, conta com um campo de força impenetrável ao redor do asteroide, com os seus geradores de força escondidos em diversos lugares pela ORN. Para destruir a Dyradeizer, a Federação Galáctica manda seu melhor piloto em sua melhor nave de combate, a “Fire Leo”, para localizar e destruir os geradores do campo de força e assim destruir Dyradeizer.

Thunder Force

Thunder Force II: Dyradeizer foi destruída, mas a ORN ainda não havia sido derrotada. O império ORN cria uma nova e poderosa estação de batalha espacial, a Plealos. Usando essa estação a ORN novamente ataca a Federação Galáctica. O ataque incessante resulta na destruição do planeta aliado da Federação, Reda, e uma grande destruição no planeta de Nebula, que está servindo de base para a Plealos. A Federação elabora um plano de ataque e desenvolve uma nova nave de combate, a Fire Leo 2 “Exceliza”, para destruir a base da ORN em Nebula, juntamente com a Plealos.

Thunder Force II

Thunder Force III: Neste terceiro episódio a história acontece 100 anos depois do primeiro game e um pouco depois do segundo. Aparentemente, apesar de suas vitórias até agora, a Federação Galáctica não está se saindo muito bem contra a batalha com o Império ORN, que instalou aparelhos de disfarce nos cinco principais planetas em seu território espacial onde se concentra sua base principal, dificultando assim para a Federação localizar e atacar seu quartel general. Além disso, a ORN construiu um sistema de defesa chamado “Cerberus”, cuja especialidade é neutralizar e destruir grandes espaçonaves e frotas espaciais. Sabendo disso, a Federação cria a Fire Leo 3 “Styx”, uma nave de tamanho menor para que não fosse detectada por Cerberus, mas equipada com pesados armamentos de um cruzador estelar. A Federação manda Styx na missão de destruir os cinco aparelhos de disfarce, se infiltrar na base da ORN e destruir seu imperador, o bio-computador “Chaos”.

Thunder Force III

Thunder Force IV: E finalmente chegamos ao que interessa. Logo após a derrota do Império ORN no terceiro game, a Federação Galáctica começa a receber ataques frequentes de uma armada hostil, conhecida como Kha-Oss-Legion, um exército formado pelas forças restantes aliadas da ORN do planeta Vios. A Federação localiza seu quartel general no planeta Aceria e ataca, mas o poder das forças inimigas cresceu tanto quanto ao do Império ORN, que destrói seus atacantes com facilidade. Uma vez mais, uma nova e poderosa nave é construída, a Fire Leo 4 “Rynex”, com a missão de destruir as forças de Vios. Essa é a sua nave e é aqui que o game começa.

Thunder Force IV

Batalhas espaciais belíssimas

“Thunder Force III” já apresentava gráficos excelentes quando foi lançado, mas o quarto game conseguiu ir bem além, apresentando cenários fantásticos que impressionam pela sua alta qualidade, uma obra de arte visual sem dúvida nenhuma. Serão 10 fases dos mais variados designs artísticos, com planetas, espaço, embaixo da água, deserto, ruínas, fortalezas e por aí vai. Além dos visuais muito bem feitos, coloridos e super detalhados, o jogo apresenta centenas dos mais variados inimigos pintando na telinha.

Há chefes de fase que ocupam a tela inteira, alguns são tão grandes que nem cabem na tela, como um gigantesco cruzador espacial. Há muitos efeitos nos gráficos, como o oceano ao fundo, embaixo da água, a tempestade no deserto, quando se está viajando na velocidade da luz, as explosões, o planeta de fogo, etc.

Um dos efeitos que mais impressionam é o uso do parallax (mover planos de fundo em diferentes velocidades), com certeza um dos games que mais bem utilizou essa técnica na era dos 16 Bits. As nuvens, as montanhas, as ondas dos mares, as naves espaciais no espaço, as ruínas, os vulcões em erupção, entre outras coisas, se movem em vários planos diferentes, é tudo muito impressionante e muito bem feito.

Outra característica bastante interessante é a liberdade de movimentação em algumas fases. Por exemplo, na primeira fase, situada no Planeta Strite (que serve como base de treinamento para os inimigos) ao direcionar sua nave para cima ela estará entre as nuvens, ou se escolher ir para baixo no mesmo cenário, estará entre montanhas ou oceanos. Muitas fases dão essa possibilidade de escolha, o que torna a aventura espacial mais excitante.

os vários, e belos, cenários da primeira fase

Trilha Sonora Destruidora

Além dos belíssimos gráficos, a Technosoft caprichou também na trilha sonora, uma das melhores que já tiveram o prazer de tocar nos chips de áudio do Mega Drive. Quem gosta de um bom rock vai adorar as músicas, em sua maioria compostas por sons eletrizantes que emulam bem guitarras poderosas, contrabaixos ao fundo, teclados e uma bateria nervosa que acompanha as belas melodias.

Cada chefão de fase tem seu próprio tema musical (como nos jogos anteriores), geralmente um rock poderoso que dá a atmosfera perfeita para um combate espacial épico. Há outros estilos musicais presentes, com uma pegada mais eletrônica – temas como Metal Squad, Stand up Against Myself, Lightning Strikes Again,Fighting Back e Sand Hell utilizam com maestria o sintetizador FM do Megão!

Os efeitos especiais também estão ótimos, especialmente nos sons de explosões, que nos dá um sentimento de satisfação após derrotar aquele inimigo gigantesco e penoso. Temos também vozes digitalizadas em uma boa qualidade, ao coletar as armas é possível ouvir claramente termos como Blade, Rail Gun, Shield, entre outras coisas. Pode parecer pouca coisa, mas dá um toque todo especial ao game.

A jogabilidade é praticamente a mesma de “Thunder Force III”, onde controlamos a nave com os direcionais, com um dos botões mudando a velocidade (necessário para passar em alguns corredores estreitos), com outro servindo de gatilho para os ataques e o terceiro para mudar de arma. A resposta aos comandos é rápida e precisa, como deve ser.

O game oferece vários tipos de armas, algumas vindas dos títulos anteriores, outras totalmente novas e para se dar bem por aqui, a sugestão é que você domine todas elas e saiba quais os melhores momentos para usar cada uma. Elas são a chave para a vitória.

A dificuldade do game é insana, um dos jogos mais difíceis do Mega Drive, mas felizmente não há problemas como slowdowns, mesmo com centenas de inimigos e tiros na tela, o que é muito bom. Algumas fases irão passar em uma velocidade absurda, e você terá que confiar em seus reflexos e habilidades com os controles, já que muitos inimigos e os tiros se confundem com o cenário atrás.

Como em “Thunder Force III”, é possível escolher a ordem das quatro primeiras fases. Já as seis seguintes irão passar uma atrás da outra, do jeito tradicional. Depois da quinta fase sua nave ganhará um Power-up, um canhão adicional com um tiro mais poderoso chamado de Laser Shot, que libera um poderoso raio de energia, tostando todo mundo que estiver por perto.

O jogo realmente é muito difícil, quem não estiver acostumado vai morrer uma vida atrás da outra. Mas não se preocupe, a diversão é garantida e você vai ficar horas jogando até descobrir como matar os chefes ou até passar aquela fase pentelha. A ação nunca para, assim que terminar uma fase, a música da próxima área começa a tocar e você é jogado para os leões novamente.

Felizmente para ajudar há espalhados Shields (não muitos, aproveite bem quando encontrar um) permitindo que sua nave leve umas porradas sem sem ser destruída e também há algumas vidas extras, sem dizer numa boa quantidade de continues. Porém, se você não se considera o melhor piloto da galáxia, talvez algumas mudanças sejam necessárias na tela de opções (A + Start), onde é possível escolher a dificuldade (do Easy ao Maniac). E olha só que legal, todos os modos de dificuldade têm um final diferente.

Uma obra-prima do gênero!

Uma das melhores séries de “navinha” que já apareceu nos videogames, fez história na época dos 16 Bits e milhares de donos de Mega Drive felizes. “Thunder Force IV” é uma obra-prima do gênero, apresentando visuais magníficos, trilha sonora perfeita, jogabilidade excelente, dificuldade insana e diversão garantida. Um jogo mais do que recomendado para quem tem um Mega Drive.

Curiosidades: Ao todo, a série teve seis jogos lançados, sendo o último de 2008 para PS2; A nave Rynex, de Thunder Force IV, apareceu como chefão nos dois jogos seguintes; A desenvolvedora original, Technosoft, faliu em 2001, mas o seu catálogo de jogos foi comprado pela Sega em 2016, incluindo a franquia Thunder Force.