Em 1994, a Technopop, junto a publisher Accolade trouxeram ao mercado Zero Tolerance. O exclusivo do Mega Drive foi um dos poucos games em primeira pessoa lançados para o console, por isso marcou muitas pessoas e sempre é lembrado ao lado Bloodshot e o brazuca Duke Nukem 3D.

O enredo é a cara da ficção dos anos 90. O jogo se passa num futuro distante onde a humanidade progrediu incrivelmente do ponto de vista tecnológico, sendo capaz de viajar pelo espaço e colonizar o Sistema Solar. A força militar também evolui e agora todo o Sistema é protegido pelo Planet Defense Corps.

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Entretanto um inesperado e misterioso ataque a Europa-1 leva a Planet Defense Corps a convocar a Zero Tolerance (a Tropa de Elite espacial), uma equipe formada por cinco super soldados muito bem treinados. Na pele de um destes heróis, o objetivo do jogador é infiltrar-se em Europa-1, eliminar a força alien misteriosa, bem como os homens infectados por estas criaturas, sem deixar nenhum rastro de que este ataque aconteceu.

Ao todo são cinco personagens jogáveis para se escolher antes de começar o game. Cada um tem armas específicas que mudam o jeito de jogar. Psycho é um perito em explosivos e granadas; Weasel é mestre em artes marciais; Soba é um atirador profissional; JJ Wolf é um médico que carrega uma escopeta calibre 12; Basse é um expert em eletrônicos que carrega um radar capaz de avistar os inimigos. Cada uma das missões consiste em atravessar o cenário eliminando as ameaças. Uma curiosidade é que o número de aliens varia de 22 a 70, dependendo do level.

Psycho, perito em explosivos e granadas.
Psycho, perito em explosivos e granadas.

Cada um dos níveis tem muita personalidade, variando bastante de um para o outro. O jogo tem um excelente acabamento, com ambientação detalhada, cores chamativas e bem escolhidas, realçando a beleza do ambiente. Uma característica interessante é que cada inimigo foi projetado de acordo com a função do setor, dando mais sentido e realidade a situação de infecção vivida em Europa-1.

A jogabilidade de Zero Tolerance é algo que deixa a desejar, e hoje, com certeza, dá para sentir com maior força alguns descuidos e bugs na movimentação do personagem. Correr, mudar o personagem de direção, ou andar sorrateiramente podem dar um pouco de dor de cabeça, assim como tentar ficar agachado, pois não tem como ficar em “crouch” o tempo todo.

A trilha sonora não chama a atenção, sendo simples e fraca se comparada a outros jogos do mesmo período. O destaque aqui fica por conta dos sons do ambiente. Cada detalhe tem um som distinto e as armas impressionam pelo seu realismo, assim como os inimigos que possuem grunhidos diferentes.

Zero Tolerance é perfeito para os fãs de aliens, sci-fi e PFS. O título consegue extrair o poder do console e oferece uma experiência que jogadores de videogame não estavam tão acostumados na época. Um jogo nostálgico que nasceu no auge da cultura futurista dos cinemas e que traz em seu “DNA” os elementos de sucesso da época.

  • Thiago Barcellos

    Atenção ao primeiro parágrafo: “Brasuca” se escreve com S, e não com Z. Trata-se de um termo pejorativo de raiz Portuguesa. O sufixo “uca”, o mesmo de mixuruca, tá aí pra não me deixar mentir. O tom depreciativo advém de quem é oriundo de Portugal, o famoso “portuga” pra nós. Todos os dicionários de Língua Portuguesa registram “brasuca”, sem o Z. Afinal, a palavra é derivada de Brasil, brasileiro. É uma gíria patriótica, folclórica, e carregada de autocomplacência. Aproveitando esse belo ensejo, sou crítico cultural e cineasta de formação (sou formado em Cinema e pós-graduado em Crítica Cultural pela PUC). Trabalho com jornalismo cultural há mais de 15 anos (teatro, balé, filmes, games, artes plásticas). Logo, me coloco à disposição para me tornar resenhista do blog. Garanto que não se arrependerão. Ah, eis aí minhas criticas cinematográficas: http://www.fosseisdoficio.wordpress.com. Por favor, passeiem sem moderação. Aguardo contato. Abraços afetuosos.