Além de Joe Musashi (protagonista da série Shinobi), o Mega Drive também recebeu outro ninja famoso dos games nos anos 90: Strider Hiryu!

No final dos anos 80, um anos antes de fazer sua estreia nos arcades em 1989, pelas competentes mãos da Capcom (ainda sem a gloriosa fama de Street Fighter II), o personagem Hiryu apareceu no mangá “Strider Hiryu”, que mostra de maneira mais detalhada a vida do ninja antes dos games.

Hiryu em sua versão mangá

Origens

Publicado pela famosa editora Kadokawa Shoten de maio a outubro de 1988, a série foi desenhada por Tatsumi Wada e escrita por Tetsuo Shiba, artistas não muito conhecidos, em parceria com a Capcom, que estava para lançar um jogo para NES (o nintendinho 8 bits) baseado no mangá, que conta uma história ambientada no futuro, com uma organização de ninjas chamada Strider, que luta pelo bem do mundo.

Porém durante o desenvolvimento do jogo, a Capcom ficou mais empolgada e decidiu transferir o projeto para arcades e cancelou a versão nintendinho (que acabou sendo lançada mais tarde). O arcade foi lançado e se você foi um feliz jogador de “flipers” daquela época, deve se lembrar do estrondoso sucesso que o jogo fazia, com uma ação frenética, ótimos gráficos e vozes digitalizadas.

Curiosamente, a versão arcade não era 100% fiel ao mangá e muita coisa na história foi mudada, ficando mais simples, mas apresentando estágios sensacionais, como a fuga de explosivos da Sibéria, salas antigravitacionais e pasmem, até um T-Rex tecnorgânico na Amazônia.

arcade vs Mega Drive

Com o grande sucesso nas casas de fliperamas, o título ganhou versões em vários sistemas, mas foi no Mega Drive que se tornou um sucesso mundial e um dos principais porta-bandeiras do console no início dos anos 90. Certamente quem é da época lembra das propagandas de Strider para Mega Drive, um “jogo revolucionário com incríveis 8 Mb” – esse era um dos seus slogans e provavelmente foi o primeiro cartucho de 8 Mb em um videogame caseiro.

Portado pela própria Sega (como a Capcom tinha contrato de exclusividade com a Nintendo, não podia lançar seus jogos para outros sistemas), o game realmente era bem incrível e recebeu muitos prêmios como “Melhor Jogo do Ano” e “Melhores Gráficos”, sendo muito próximo da versão arcade, com sprites grandes e bem definidos, uma ótima jogabilidade e trilha sonora.

A versão para Mega Drive era a mais próxima que os gamers tinham de um arcade dentro de casa. Jogos como Strider, Altered Beast, Golden Axe e Shinobi eram exemplos de ótimas conversões de famosos jogos de arcade para um console doméstico, o que foi motivo para muita gente comprar o aparelho (e motivo de festa para o pessoal de marketing da Sega).

Ninja do futuro

No ano de 2048 a Terra está sob ameaça de Grandmaster Meio, um ser maligno de outra galáxia que planeja governar o mundo de sua estação espacial, construída entre a Terra e a Lua (leitores mais atentos notarão semelhanças entre o Imperador Palpitine da saga Star Wars).

Para combater esse tirano e suas forças invasoras é escolhido Hiryu, o mais jovem e forte do grupo Strider, armado apenas com a sua poderosa tonfa de plasma chamada Cypher, e que conta com a ajuda dos “Options”, pequenos robôs e animais mecânicos que eventualmente encontra pelo caminho.

A missão de Hiryu começa se infiltrando na capital do Grandmaster na República Socialista Soviética do Cazaquistão, uma Federação referida como a Europa Oriental que se tornou a Capital Imperial do Império Russo em 2048 (algumas referências da Guerra Fria, exército russo e até um personagem que lembra Mikhail Gorbachev, o último líder da antiga União Soviética).

E assim começa a aventura, pelos céus da cidade em meio a som de alarmes e o exército inimigo caçando o nosso destemido herói.

Um game inesquecível

Como já dito, visualmente o game é muito belo e muito próximo ao padrão do arcade, onde bem pouco foi perdido na conversão, como alguns trechos de cenários de fundo e as vozes digitalizadas que foram removidas. A Sega fez um excelente trabalho e nos entregou personagens grandes e detalhados na tela, além de boas animações.

O primeiro chefe do jogo usa como armas uma foice e um martelo, símbolos do comunismo presentes na bandeira soviética. Além dele, há robôs com designs bem bacanas, alguns que até se parecem o Ed-209 (aquele robozão bacana dos filmes do Robocop) e outros brinquedinhos mecânicos espalhados pelas fases. Os chefes são um espetáculo de criatividade e design, como a serpente robótica e um gorila mecânico, porém o mais impressionante de todos é o campo gravitacional, em que Hiryu fica girando em torno do núcleo.

Como todo bom ninja do futuro, Hiryu é muito habilidoso e ágil com a sua Cypher, que durante o caminho pode ficar mais forte com power-ups. Ele também pode escalar paredes e tetos ao melhor estilo Homem-Aranha para alcançar novas áreas, assim como fazer uso de rasteiras, úteis para passar por lugares estreitos ou atravessar plataformas. De maneira geral, a jogabilidade é perfeita e muita fácil de se acessar.

Todas as 5 fases do arcade estão presentes no Mega Drive, passando pela cidade inicial, depois pelas montanhas gélidas da Sibéria, então voando por uma Fortaleza Voadora, nas selvas da Amazônia (com amazonas pulando pelas árvores e dinossauros pelo caminho) e por final a fortaleza no espaço de Grandmaster Meio.

A trilha sonora é muito boa e casa bem com a ação intensa de Strider e muda diversas vezes durante uma determinada fase, dando mais atmosfera e dramaticidade ao clima do game. Os efeitos sonoros são vários e bem produzidos, como explosões, tiros, e sirenes de alarmes.

Infelizmente o jogo é muito curto, mesmo para os padrões da época, faltou a Sega introduzir alguns novos cenários para prolongar a aventura, que nos deixa desejando por mais quando chegamos ao final.

tema musical da primeira fase

Classicão no Megão!

Um clássico dos arcades. Um clássico no Mega Drive. Strider foi um dos primeiros games com um visual arcade dentro do conforto da sua casa, que em certa época marcou toda uma geração de gamers. Ótimos gráficos, visual futurista, uma jogabilidade frenética e uma boa trilha sonora fazem de Strider um verdadeiro campeão em seu Mega Drive!

Curiosidades: Strider recebeu uma versão no Master System e em 1993 ganhou uma sequência bem ordinária não oficial “Strider II”, produzida pela US Gold. Em 1999 a Capcom lançou oficialmente Strider 2 para arcades, esse sim um jogaço que ganhou uma versão para Playstation. Em 2014 Strider ganhou um reboot produzido pela Double Helix Games, último game estrelado por Strider Hiryu – fora o destaque como personagem jogável em jogos de luta como Marvel vs Capcom, entre outros da empresa.

visual de Hiryu na série Marvel vs Capcom